10º

 

 

 

 

 

 

 

Festivais Culturais da Madeira
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   Programa   

Domingo, 21 de outubro, 18h00
Recolhimento do Bom Jesus

Sérgio Silva, órgão
Patrycja Gabrel, soprano
Carolina Figueiredo, meio soprano
Ana Raquel Pinheiro, violoncelo barroco


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Um percurso pela música sacra portuguesa do século XVIII

 

Carlos Seixas (1704 - 1742)
Responsório Hodie nobis cælorum Rex
            Allegro
            Affectuozo
            Amorozo

 

Carlos Seixas
Sonata para órgão em Sol maior (Órgão)

 

António Teixeira (1707 - 1769?)
Responsório Tanta grassabatur crudelitas
            Verso a duo

 

Carlos Seixas
Sonata para órgão em Lá menor
Órgão

 

João Rodrigues Esteves (c.1700 - d.1751)
Stabat Mater
Quis est homo, qui non fleret
            Eja mater, fons amoris

 

Carlos Seixas
Sonata para órgão em Lá menor (Órgão)

 

João Rodrigues Esteves
Stabat Mater
            Fac me vere
            Virgo virginum præclara

 

Fr. José da Madre de Deus (séc. XVIII)
Fuga em Ré menor (Órgão)

 

Fr. Jerónimo da Madre de Deus (1714/15-d.1768)
Sabbato Sancto ad Matutinum Lectio Octava 2

 

Carlos Seixas
Sonata para órgão em Lá menor
Órgão

 

Francisco António de Almeida (fl. 1722 - 1752)
Responsório Si quæris miracula
Verso a duo

 

Carlos Seixas
Tocata em Dó maior (Órgão)

 

Francisco António de Almeida
Responsório In dedicatione templi
Verso a duo

 

Fr. Jacinto do Sacramento (1712-?)
Tocata em Ré menor (Órgão)

 

João de Sousa Carvalho (1745-1799/1800)
Inter natus mulierum

 

 

A subida ao trono de D. João V em 1707 estabelece um marco significativo na história da música portuguesa. Durante o seu reinado, assiste-se à reforma da Capela Real, à criação de uma instituição para o ensino da música em Portugal - o Seminário da Patriarcal - e de uma escola especializada no ensino do cantochão no Convento de Santa Catarina de Ribamar. Simultaneamente, D. João V orienta a vida musical portuguesa com a absorção do estilo musical italiano da época, através do modelo da Capela Papal. A prosperidade financeira obtida com o ouro do Brasil permitiu a alocação de fundos muito generosos para a Capela Real, os quais foram investidos na atribuição de bolsas a estudantes portugueses, caso de António Teixeira, João Rodrigues Esteves e Francisco António de Almeida, bem como na contratação de cantores da própria Capella Giulia.

 

Apesar de não ter sido um dos bolseiros de D. João V, Carlos Seixas é, sem dúvida, um dos compositores representativos desta época. Principalmente conhecido pela sua obra para tecla, algumas peças corais da sua autoria são conhecidas atualmente, caso do responsório para o tempo de Natal Hodie nobis cælorum Rex.

 

António Teixeira, após ter estudado em Itália, foi eleito cantor-capelão da Catedral de Lisboa. Dominador do estilo musical italiano da época, da sua autoria provêm alguns responsórios para a festa do Mártir São Vicente, patrono de Lisboa, onde se inclui Tanta grassabatur crudelitas. Mestre de capela da Basílica de Santa Maria Maior em Lisboa e professor no Seminário da Patriarcal, João Rodrigues Esteves foi um dos bolseiros que estudou em Itália. Da sequência Stabat Mater, irão ser apresentados alguns excertos para solo de soprano ou alto e dueto de soprano e alto, onde a intensidade dramática das vozes é apoiada pelo baixo contínuo. Tendo sido nomeado organista da Capela Real, Francisco António de Almeida é conhecido pelas suas oratórias, óperas e motetes sacros. Tendo estudado em Itália ao abrigo da bolsa de D. João V, as suas primeiras composições conhecidas datam exatamente desse período. Dos responsórios Si quæris miracula, para a festa de Santo António, e In dedicatione templi, serão apresentados os versos, ambos com a textura de dueto de soprano e alto.

 

Sobre a biografia dos compositores Fr. José da Madre de Deus, Fr. Jerónimo da Madre de Deus e Fr. Jacinto do Sacramento, não há alguma informação, excepto a autoria de um reduzido número de peças. João de Sousa Carvalho começou por estudar música no célebre Colégio dos Santos Reis de Vila Viçosa, mas acabaria por completar os seus estudos em Nápoles, ao abrigo de uma concessão real. Regressando a Lisboa, torna-se professor de contraponto no Seminário da Patriarcal, passando mais tarde a mestre e a mestre de capela. A peça Inter natos mulierum trata-se de uma antífona para a festa do nascimento de São João Baptista e é composta por duas secções: a inicial, com a descrição do texto dedicado a São João e a última sobre o texto Alleluia. Ambas demonstram o estilo virtuoso da escrita vocal, sem nunca perder o estilo galante.


Sérgio Silva

  Participantes  

Domingo, 21 de outubro, 18h00
Recolhimento do Bom Jesus

Sérgio Silva, órgão
Patrycja Gabrel, soprano
Carolina Figueiredo, meio soprano
Ana Raquel Pinheiro, violoncelo barroco


Sérgio Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Patrycja Gabrel

 

 

 

 

Carolina Figueiredo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ana Raquel Pinheiro

Sérgio Silva

 

Natural de Lisboa, Sérgio Silva começou por estudar Órgão no Instituto Gregoriano de Lisboa, tendo como professores João Vaz e António Esteireiro. Terminada a licenciatura em Informática e Gestão de Empresas no ISCTE, ingressou na licenciatura em Música, ramo de interpretação (Órgão) na Universidade de Évora, sob a orientação de João Vaz. Concluiu recentemente um Mestrado em Música, ramo de interpretação (Órgão), tendo como objeto de estudo “Os tentos de meio registo e as batalhas de Pedro de Araújo: questões de autoria e edição crítica” e como orientadores João Vaz e João Pedro d’Alvarenga. Ainda no âmbito da formação, teve oportunidade de contactar com várias personalidades de renome internacional, tais como, José Luis Gonzalez Uriol, Luigi Ferdinando Tagliavini, Jan Wilhelm Jansen, Hans-Ola Ericsson, Kristian Olesen. Tem-se apresentado a solo em vários pontos do país e em Espanha, com destaque para as intervenções no Festival Internacional de Órgão de Lisboa, nas Jornadas de Órgano de Zaragoza e nos Concertos de Inauguração dos Seis Órgãos da Real Basílica de Mafra. Integrando agrupamentos, já teve oportunidade de colaborar com a Orquestra Gulbenkian, o Coro Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, a Capella Patriarchal, o Voces Caelestes, o Introitus, o Sete Lágrimas, entre outros. Presentemente, é professor de Órgão no Instituto Gregoriano de Lisboa e na Escola Diocesana de Música Sacra de Lisboa e é organista titular da Basílica da Estrela e da Igreja de São Nicolau (Lisboa).

 


Patrycja Gabrel

 

Patrycja Gabrel iniciou a sua educação musical aos sete anos de idade, tendo integrado aos onze na Schola Cantorum Bialostociensis, um dos melhores coros femininos da Polónia. Diplomou-se em Canto pelo Conservatório de Música Fryderyk Chopin em Varsóvia, e prosseguiu a sua formação na Escuela Superior Reina Sofia em Madrid, sob orientação do professor Tom Krause, tendo ainda tido oportunidade de estudar com Riri Griest, Tereza Berganza e Charles Kellis. Bolseira do Ministério da Cultura Polaco e da Escuela Superior Reina Sofia, foi vencedora do prémio “Melhor Jovem Músico da Catedra de Canto Alfredo Krause” e do prémio da Rádio Polónia Antena Dois da competição “Arte da Canção Contemporânea”. Atuou nos principais palcos da Polónia, como o Teatro de Ópera de Varsóvia e a Filarmonia de Varsóvia, e noutros palcos de vários países europeus, como o Auditório Nacional em Madrid e o Palau de la Musica em Barcelona. Em Portugal, estreou-se em março de 2011 no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, representando o papel de Solveig na Suite Peer Gynt de Edward Grieg, com a Orquestra Gulbenkian.  Atualmente, colabora com o Coro Gulbenkian.

 


Carolina Figueiredo

 

Formou-se em Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa em 2005, na classe de Filomena Amaro. Trabalha hoje regularmente com Manuela de Sá. Participou em masterclasses e workshops de interpretação, entre outros, com Lucia Mazzaria, Tom Krause e João Paulo Santos, e frequenta regularmente os workshops da European Network of Opera Academies (ENOA) organizados pela Fundação Gulbenkian. Em concerto, já cantou como solista: Messiah de Haendel; Missa da Coroação, Spatzenmesse e Missa brevis em Sol maior de Mozart; Te Deum de Sousa Carvalho; Heiligemesse de Haydn; Gloria de Vivaldi; variadas obras sacras de J.S. Bach, Purcell, Schutz, Fauré, Francisco António de Almeida e Carlos Seixas. Canta ainda regularmente a solo em recitais de música sacra, tanto barroca como romântica. Em ópera, integrou o elenco de Bastien e Bastienne de Mozart (Bastien), Faust de Gounod (Marthe), Peer Gynt de Grieg (Pastora) e Turandot de Busoni (Vorsangerinnen). Trabalhou sob a direção de Martin André, Moritz Gnann, Michael Corboz, Jorge Matta, António Lourenço, Jorge Alves e José Robert, em colaboração com a Orquestra Divino Sospiro, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Gulbenkian, Orquestra do Norte e Orquestra do Algarve. Projetos futuros incluem participações em Bastien e Bastienne de Mozart (com a Orquestra do Norte - novembro 2012),  Irene de Alfredo Keil (TNSC - novembro 2012),  L’Orfeo de Monteverdi (Ninfa)  com a Orquestra Divino Sospiro (fevereiro 2013), Sonho de uma Noite de Verão de F. Mendelssohn com o Coro e Orquestra Gulbenkian (junho 2013), e ainda Il Tramonto de Respighi, no ciclo dos solistas da Orquestra Gulbenkian (junho 2013).

 


Ana Raquel Pinheiro

 

Iniciou os estudos de violoncelo na Escola Profissional de Artes da Beira Interior na classe do prof. Rogério Peixinho. Concluiu o curso superior, Licenciatura, em violoncelo na Escola Superior de Artes Aplicadas na classe dos Professores Miguel Rocha e Catherine Stynckx. Estudou violoncelo barroco na Escola Cívica de Milão sob orientação do professor Gaetano Nasillo, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Frequentou Master-Classes com violoncelistas Márcio Carneiro, Jeroen Reulling, Xavier Gagne-Pan, Jian Wang, António Meneses, Elisa Joglar, Leonardo Luckert, Itziar Atutxa, Rainer Zipperling.  Obteve o 2º prémio da Classe B do Concurso de Arcos Júlio Cardona no ano 2001. Leciona Violoncelo na Academia de Música de Santa Cecília, Lisboa. Colabora regularmente com orquestras tais como: Músicos do Tejo (Portugal), Musici di Santa Pelagia (Itália), Divina Armonia (Itália), La Risonanza (Itália) e Orquestra Barroca Divino Sospiro (Portugal). Frequenta atualmente o Mestrado em Pedagogia do Instrumento, na ANSO / Universidade Lusíada, sob a orientação do Professor Paulo Gaio Lima.

 

   Notas ao Orgão   

Domingo, 21 de outubro, 18h00
Recolhimento do Bom Jesus

Sérgio Silva, órgão
Patrycja Gabrel, soprano
Carolina Figueiredo, meio soprano
Ana Raquel Pinheiro, violoncelo barroco






 

Recolhimento do Bom Jesus, Funchal

 

Este pequeno órgão positivo foi construído em 1781 por Leandro José da Cunha (n. 1743 – m. após 1805), natural de Lisboa e um dos três construtores identificados desta família de organeiros. Leandro era filho do organeiro João da Cunha (n. 1712 – m. 1762), igualmente natural de Lisboa, que construiu o órgão da igreja de Nossa Senhora da Luz, de Ponta do Sol. 

 

O órgão representa um tipo de instrumento muito característico para o conceito da organaria portuguesa da primeira metade do século XVIII. O facto de o instrumento não ter possuído – originalmente e à semelhança com muitos outros positivos daquela época – um registo base de 8’ (q. d. de 12 palmos) mas apenas de 6 palmos, parece indicar uma prática musical que contava com o reforço da região grave por meio de um outro instrumento.

 

 

Manual (C, D, E, F, G, A-d’’’)

Flautado de 6 tapado (4’)
Quinzena (2’)
Dezanovena (1 1/3’)
22ª e 26ª

Sesquialtera II ( )