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   Programa   

Quinta-feira, 25 de outubro, 21h30

Igreja e Convento de Santa Clara

Maurizio Croci, órgão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Recital de Órgão

 

Andrea Gabrieli (1533-1585)
Toccata del nono tono
Canzon Ariosa

 

Girolamo Frescobaldi (1583-1643)
Toccata III (Libro primo, 1637)
Aria detta la Frescobalda (Libro secondo, 1637)
Cento partite sopra passacagli (Aggiunta, 1637)
Aria detta la Frescobalda – Monicha – Balletto (Autógrafo de Paris)

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Sonata em lá menorr, BWV 967
Aria variata alla man[iera] Italiana, BWV 989

 

Georg Böhm (1661-1733)
Capriccio
Prealudium in g

 

 

Durante a segunda metade do século XVI, Veneza é o mais importante centro para a música de órgão italiana e Andrea Gabrieli, ativo como organista na Basílica de São Marcos, é sem dúvida uma das figuras mais representativas. Exerceu uma influência considerável sobre muitos compositores venezianos e da Alemanha do Sul. A Toccata del nono tono é uma peça virtuosística de grandes proporções, articulada em várias secções, uma das quais fugada. Andrea é um dos primeiros a introduzir secções imitativas nas suas tocatas.

 

As obras de Girolamo Frescobaldi representam o ponto mais alto da arte italiana de composição para tecla. O seu estilo é profundamente influenciado pela «nova» música vocal do princípio do século XVII praticada por Caccini, Monteverdi, Peri, etc.. Da mesma maneira que a «nova» música vocal se fazia «serva» da poesia, assim, nas suas tocatas, Frescobaldi prescreve uma execução livre, não medida, regida não pelo compasso mas sim pelos affetti dell'animo. As Cento partite contam-se entre as composições mais marcantes da obra frescobaldiana, combinando géneros musicais e formas métricas numa surpreendente série de variações sobre um baixo ostinato. As três pequenas peças que concluem a parte frescobaldiana deste programa estão preservadas numa fonte autógrafa recentemente descoberta na Biblioteca Nacional de Paris.

 

As duas peças de Bach e o Prelúdio de Böhm que constituem a última parte do programa provêm das mesmas fontes: o Andreas Bach Buch e o manuscrito Moeller. Tratam-se de duas coletâneas copiadas, entre outros, pelo irmão mais velho de Bach, Johann Christoph, e estão ligadas aos anos de formação do jovem Johann Sebastian. Contêm obras de mestres como Reincken, Bruhns, Buxtehude, Pachelbel ou Böhm, que influenciaram profundamente o jovem Bach, assim como as suas primeiras experiências de composição.

 

Georg Böhm, ativo em Hamburgo e em Lüneburg, está sem dúvida entre os primeiros compositores a introduzir elementos do gosto francês nas suas composições. Muito provavelmente, Böhm entrou em contacto com a música francesa em Hamburgo, onde Kusser, aluno de Lully, dirigia óperas francesas e italianas. O Praeludium in g combina a graciosidade francesa com uma intensidade e profundidade tipicamente alemãs. A estrutura desta peça é tripartida: prelúdio, fuga, postlúdio.

 

Böhm foi um verdadeiro «mestre de pensamento» para o jovem Bach. Entre 1700 e 1703 Bach foi aluno da Michaelisschule na cidade de Lüneburg. Durante o mesmo período Böhm foi aí organista e Bach foi provavelmente seu aluno. A recentíssima descoberta (em 2006) em Weimar do mais antigo documento autógrafo de J. S. Bach demonstra que este tinha acesso à biblioteca de Böhm. Este manuscrito contém, entre outras, uma cópia de Bach do célebre coral de Johann Adam Reincken An Wasserflüssen Babylon. Bach indica que copiou esta peça em casa de Böhm em 1700. A Sonata e a Aria variata alla maniera italiana são obras juvenis de J. S. Bach. O lado italiano daquela série de variações reside provavelmente no carácter instrumental da melodia e no tratamento tipicamente violinístico das suas nove variações.

 

Maurizio Croci

  Participantes  

Quinta-feira, 25 de outubro, 21h30

Igreja e Convento de Santa Clara

Maurizio Croci, órgão


Maurizio Croci

 

Maurizio Croci

 

Maurizio Croci nasceu em Varese (Itália).  Diplomou-se em órgão e cravo pelos conservatórios de Milão e Trento (Itália) e passou quatro anos na Schola Cantorum Basiliensis (Suiça), frequentando cursos avançados de órgão e cravo sob a orientação de Jean-Claude Zehnder e Andrea Marcon.  Graduou-se também em musicologia na Universidade de Fribourg (Suiça), sob a orientaçãoo de Luigi Ferdinando Tagliavini.  Premiado no Concurso Internacional Paul Hofhaimer em Innsbruck (1998), tem dado concertos pela Europa toda, na Rússia e no Japão, executou a obra completa para órgão de Bach em Berna para comemorar o 250º aniversário da morte do compositor, e gravou vários CDs.  Em 2011 gravou as obras para órgão de Andrea Gabrieli no órgão Marco Patti na Basílica da Santa Trindade em Berna para a RSI Rete Due.  Dá masterclasses em música antiga para tecla, e é membro do júri de vários concursos internacionais de órgão (Alkmaar, Toulouse, Lansberg, Borca di Cadore).  É atualmente professor de órgão na Haute École de Musique (HEMU) em Lausanne (Suiça), professor de cravo e Diretor do Departamento de Música Antiga da Civica Scuola di Musica em Milão, organista da Basílica da Santa Trindade em Berna e do Collège St-Michel em Fribourg.  É diretor artístico da Académie d’Orgue de Fribourg e é membro da comissão de diretores artísticos do ECHO (Cidades Europeias de Órgãos Históricos (www.echo-organs.org).

 

   Notas ao Orgão   

Quinta-feira, 25 de outubro, 21h30

Igreja e Convento de Santa Clara

Maurizio Croci, órgão






 

Igreja e Convento de Santa Clara, Funchal

 

A Igreja de Santa Clara tinha adquirido um órgão de tubos em forma de armário com características italo-ibéricas do século XVIII. Com a extinção das Ordens Religiosas e consequente venda dos bens da congregação, também o órgão foi posto em hasta pública, sendo arrematado pelo Dr. Romano de Santa Clara, que o conservou numa dependência do extinto convento. Em 1921 ofereceu-o à confraria de Santa Clara, a fim de ser novamente posto ao serviço religioso daquele templo. Foram então encarregados de proceder à sua “reparação”, em outubro de 1923, os músicos César R. Nascimento e Guilherme H. Lino que a terminaram em novembro do ano seguinte.

 

Achando-se durante vários anos silenciado e muito estragado, em 1996, este instrumento, de notável valor histórico, foi então sujeito a uma intervenção profunda e com critérios baseados em factos ligados à arte da organaria da época que identifica o instrumento, desta vez por parte de Dinarte Machado, tendo ficado concluída em 2001. O estado em que se encontrava, considerado completamente desconfigurado, exigiu um profundo e rigoroso estudo para se chegar às conclusões que definiram o restauro atual. Neste âmbito, foi um trabalho revestido de grande critério e exigência imposto desde o início por Dinarte Machado.

 

Manual (C, D, E, F, G, A, Bb-c’’’)

Principale (c#’-c’’’)
Ottava (4’)
Quintadecima
Decimanona
Vigesimaseconda e Trigesimasesta
Flauto 8’
Flauto 4’
Cornetto (c#’-c’’’)