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   Programa   

Sexta-feira, 26 de outubro, 21h30

Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Roberto Antonello, órgão
Maurizio Croci, órgão
Nuno Morna, narrador


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Recital de órgão a quatro mãos

 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Sonata em Ré maior KV 381 (123a)
Allegro
Andante
Allegro molto

 

Gioachino Rossini
Abertura de La Gazza Ladra

 

Sergej Prokofiev (1891-1953)
Pedro e o lobo, Op. 67 (1936)
(transcrição para órgão a quatro mãos de Roberto Antonello)

 

 

Este concerto a quatro mãos (e quatro pés) é destinado a crianças e às suas famílias, aberto a um público variado e não apenas de especialistas.

 

A peça principal do programa é a célebre fábula musical Pedro e o Lobo de Sergei Prokofiev. A obra será apresentada numa versão na qual o órgão, tocado a quatro mãos, substituirá a orquestra de câmara prevista pelo compositor. Música e texto alternam-se como no original. Poder-se-ão apreciar os registos «de concerto» do órgão. Os instrumentos de cordas e os vários instrumentos de sopro que emprestam a sua voz às diversas personagens da fábula (cada personagem é representada por um tema específico tocado por um instrumento específico) são substituídos pelos registos organísticos correspondentes: a transcrição procura conservar as cores da instrumentação original. Este arranjo particular, apresentado pela primeira vez por Roberto Antonello e Maurizio Croci em Fribourg (Suíça) em 2007, foi publicado pelas Edizioni Ricordi e gravado em CD pelos mesmos intérpretes no órgão da Igreja de Notre-Dame de la Dalbade em Toulouse (França) em 2010. A partitura e o CD tornaram-se num projeto educacional partilhado pelas cidades que integram a associação ECHO (European Cities of Historic Organs), da qual Lisboa também faz parte.

 

O concerto inclui também duas obras a quatro mãos. A Sonata em Ré maior de Wolfgang Amadeus Mozart, caracteriza-se pela elegância formal e a beleza dos temas utilizados, que nos transportam à atmosfera vienense da segunda metade de setecentos. Em seguida, uma peça rossiniana muito conhecida: a Abertura de La Gazza Ladra. Também neste caso a abertura implicava a orquestra, aqui substituída pelo órgão a quatro mãos. Representada pela primeira vez em Milão em 1817, é baseada numa peça francesa inspirada num facto real. Uma rapariga é injustamente acusada de roubo e condenada à morte. A sua salvação é proporcionada por um jovem camponês que descobre num campanário o objeto roubado e o autor do furto: uma ave.

 

Roberto Antonello

  Participantes  

Sexta-feira, 26 de outubro, 21h30

Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Roberto Antonello, órgão
Maurizio Croci, órgão
Nuno Morna, narrador

 

Roberto Antonello


Maurizio Croci

 

 

 

 

 

 

 

Nuno Morna

Roberto Antonello

 

Nascido em 1967, graduou-se em órgão e composição para órgão (cum laude), na música coral e em direção de coros na Universidade de Bolonha com uma dissertação final sobre os Treois Chorals de César Franck.  Em 1993, sob a orientação de D. Roth, graduou-se com o Premier Prix d’Excellence no CNM em Issy-les Moulineaux (Paris).  Ganhou prémios em concursos nacionais e internacionais entre 1987 e 2000, entre eles o 2º Prémio de Interpretação no XVII Concurso Internacional de Órgão Grand Prix de Chartres 200 (o único italiano admitido à ronda final na história de 36 anos do concurso).  Tem tocado nos maiores festivais e séries de concertos nas maiores cidades italianas, na União Europeia, na Suíça, na Croácia, no Uruguai, no Brasil e no Canadá.  Ativo como musicólogo, publicou os Vesprei de S. Ignacio e a Misa a San Ignacio (Edições Pizzicato) de Domenico Zipoli e Principia seu Elementa ad bene Pulsandum Organum et Cimbalum (Edições Missions Prokur – Armelin) provindo das missões do século XIII da América Latina.  Como compositor, escrevei Via Crucis, uma obra multimédia para órgão histórico, e uma transcrição para dueto de órgão de Pedro e o Lobo de Prokofiev, editada pela Ricordi.  Tem participado como membro de júri em vários concursos nacionais e internacionais.  Em 1994, a seguir ao seu sucesso no concurso nacional de professores de órgão nos conservatórios, foi nomeado, no mesmo ano, professor titular de órgão e de composição para órgão: dá aulas no Conservatório Pedrollo em Vicenza, onde também é chefe dos estudos de órgão desde 2005 e Diretor adjunto desde 2010.

 

 

 

Maurizio Croci

 

Maurizio Croci nasceu em Varese (Itália).  Diplomou-se em órgão e cravo pelos conservatórios de Milão e Trento (Itália) e passou quatro anos na Schola Cantorum Basiliensis (Suiça), frequentando cursos avançados de órgão e cravo sob a orientação de Jean-Claude Zehnder e Andrea Marcon.  Graduou-se também em musicologia na Universidade de Fribourg (Suiça), sob a orientaçãoo de Luigi Ferdinando Tagliavini.  Premiado no Concurso Internacional Paul Hofhaimer em Innsbruck (1998), tem dado concertos pela Europa toda, na Rússia e no Japão, executou a obra completa para órgão de Bach em Berna para comemorar o 250º aniversário da morte do compositor, e gravou vários CDs.  Em 2011 gravou as obras para órgão de Andrea Gabrieli no órgão Marco Patti na Basílica da Santa Trindade em Berna para a RSI Rete Due.  Dá masterclasses em música antiga para tecla, e é membro do júri de vários concursos internacionais de órgão (Alkmaar, Toulouse, Lansberg, Borca di Cadore).  É atualmente professor de órgão na Haute École de Musique (HEMU) em Lausanne (Suiça), professor de cravo e Diretor do Departamento de Música Antiga da Civica Scuola di Musica em Milão, organista da Basílica da Santa Trindade em Berna e do Collège St-Michel em Fribourg.  É diretor artístico da Académie d’Orgue de Fribourg e é membro da comissão de diretores artísticos do ECHO (Cidades Europeias de Órgãos Históricos (www.echo-organs.org).

 

Nuno Morna

 

Nuno Morna nasceu…há algum tempo, numa terra muito, muito longe, filho de uma explosiva relação entre uma beirã e um madeirense. Chega à Madeira nos idos anos 70, em plena efervescência revolucionária, da qual sente imensas saudades. Chegou a entrar para a Universidade, mas logo descobriu que queria ser como é. Ao longo dos anos tem participado em diversas atividades de carácter cultural: da música à animação, da poesia ao humor, mas assume-se acima de tudo como ator. A arte de representar já o levou a inúmeros palcos do Norte a Sul de Portugal, Espanha e Brasil. Inicia-se agora nas artes da escrita com um livro para crianças, porque acha que se deve começar por aí.

 

   Notas ao Orgão   

Sexta-feira, 26 de outubro, 21h30

Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Roberto Antonello, órgão
Maurizio Croci, órgão
Nuno Morna, narrador


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





 

Igreja de São João Evangelista (Colégio), Funchal

 

Este instrumento, com os seus 1586 tubos sonoros, integra-se num espaço sagrado de características bem particulares. Tratando-se de uma igreja de arquitetura típica dos colégios jesuítas, com uma nave de admirável amplitude e com acústica bastante amena, o órgão tinha de ser concebido, especialmente no que diz respeito às medidas dos tubos, com cuidado muito especial e singular. Assim, toda a tubaria deste instrumento, talhada em medidas largas, ecoa com intensa profundidade, e cada registo emite uma sonoridade com personalidade própria, fazendo parte de um conjunto harmónico mais baseado em sons fundamentais e menos em timbres resultantes dos harmónicos. Entendeu-se que seria indispensável doar este instrumento de uma certa “latinidade” sonora capaz de favorecer a execução de música antiga das escolas italiana, espanhola e portuguesa dos séculos XVII e XVIII.  

 

Outro aspeto tomado em conta foi a necessidade de complementar o panorama organístico atual e local: o novo grande órgão presta-se, de uma forma ideal, para a realização de obras de épocas e de exigências técnico-artísticas para as quais nenhum dos 24 instrumentos históricos da Madeira oferece as condições adequadas, valorizando, para além disso, o conjunto do património organístico da Ilha da Madeira através da sua própria existência neste particular espaço sagrado, bem como por meio da sua convivência com os espécimes históricos. Na própria decisão de o colocar na Igreja do Colégio foram tomados em conta  não apenas o espaço acústico, estético e litúrgico, mas também o facto de nele existir um importante órgão histórico que faz parte do rol dos instrumentos atualmente em via de serem restaurados.

 

I Manual - Órgão Principal (C-g’’’)

Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Flautado tapado de 12 palmos (8’)
Oitava real (4’)                      
Tapado de 6 palmos (4’)       
Quinzena (2’)
Dezanovena e 22ª                
Mistura III                            
Corneta IV                            
Trompa de batalha* (mão esquerda / bass)           
Clarim* (mão direita / treble)
Fagote* (mão esquerda / bass)
Clarineta* (mão direita / treble)

 

II Manual - Órgão Positivo (C-g’’’)

Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Tapado de 12 palmos (8’)
Flautado aberto de 6 palmos (4’)
Dozena (2 2/3’)
Quinzena (2’)
Dezassetena (1 3/5’)
Dezanovena (1 1/3)
Címbala III
Trompa real (8’)

 

Pedal (C-f’)                                                    

Tapado de 24 palmos (16’)  
Bordão de 12 palmos (8’)                 
Flautado de 6 palmos (4’)                 
Contrafagote de 24 palmos (16’)
Trompa de 12 palmos (8’)

 

Acoplamentos

II/I
I/Pedal
II/Pedal

 

* palhetas horizontais