10º

 

 

 

 

 

 

 

Programa Galeria Orquestrofone Informações Úteis

 

   Programa   

Domingo, 19 de Outubro, 18h00
Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe (Porto da Cruz)
Segunda-feira, 20 de Outubro, 21h30
Igreja de São Pedro

Marco Brescia: órgão
Rosana Orsini: soprano


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Melchor López (1759-1822)
Entrada
7.o Intento                   

 

António da Silva Leite (1759-1833)
Lição 8ª in Feria 6ª a solo e órgão

 

Frei Francisco de São Boaventura (fl. 1773-1802)
Duas Tocatas em Sol Maior

 

António da Silva Leite
Ad sacrum sanctum panem

 

José Lidón (1752-1827)
Cantabile para órgano al alzar en la Misa

 

António da Silva Leite
Calenda do Patriarca S. Francisco

 

Ramón Carnicer (1789-1855)
Sonata VI (Sonates de Menorca)

 

António da Silva Leite
Ária Latina

 

 

A atividade musical desenvolvida na cidade do Porto na segunda metade do século XVIII em pouco se assemelhava àquela em voga concomitantemente na capital do reino. A música de carácter religioso foi ampla e fecundamente cultivada nos conventos localizados intramuros, bem como à Sé. Dentre os compositores em atividade na invicta cidade sobressai a figura de António da Silva Leite (Porto, 1759–1833), o mais insigne músico portuense na transição do século XVIII ao XIX. Silva Leite foi, com toda a probabilidade, discípulo de Girolamo Sertori, célebre maestro parmigiano, tendo sido Mestre de Capela da Sé e composto prolificamente sob encomendas advindas de conventos da cidade, sobremodo, os de São Bento da Avé-Maria e Santa Clara. Mais conhecido pelo famoso Estudo da guitarra (Porto, 1796)e pelas suas modinhas, a sua obra vocal religiosa – esquecida, não obstante a inegável qualidade técnica e artística que lhe é intrínseca – denota uma evidente influência da ópera italiana, recorrendo com frequência à utilização de órgãos duplos e baseando-se num omnipresente virtuosismo vocal, característico de uma produção de música religiosa tecnicamente exigente, de grande beleza, expressão e singularidade. De Francisco de São Boaventura (Porto, fl.1773–1802), sabe-se pouco. Frei carmelita, é possível que tenha sido discípulo de Sertori, tendo certamente travado contacto com Silva Leite e igualmente recebido encomendas das monjas clarissas e beneditinas do Porto. No seu corpus musical adquirem especial relevo as obras vocais com acompanhamento de órgão obrigado e as peças para órgão solo, de notável vocalidade. Melchor López (Hueva 1759 – Santiago de Compostela, 1822) foi aluno do célebre José Lidón (Béjar, 1748 – Madrid, 1827), primeiro organista e posteriormente mestre da mais prestigiada instituição musical espanhola, a Capilla Real de Madrid, à qual era adscrito o Colegio de Niños Cantores de Su Majestad, que López abandonaria em 1784 para assumir o magistério de capela da Catedral de Santiago de Compostela. A sua obra organística custodia-se no Libro de órgano de Melchor López, importantíssima antologia que recolhe igualmente obras de seu mestre Lidón e do insigne organista da Capela Real madrilena José de Nebra, que constituem as influências mais imediatas de uma obra excepcional, de notável virtuosismo técnico-interpretativo, na qual a tradição contrapontística espanhola, não obstante os ares italianizantes que se fazem igualmente notar, detém a primazia. Ramón Carnicer (Tárrega, 1789 – Madrid, 1855) foi uma das figuras de proa da cena lírica espanhola da primeira metade do séc XIX. Assíduo frequentador do Teatre de la Santa Creu de Barcelona, Carnicer estudou a fundo quantas partituras operáticas italianas chegavam à capital catalã.

A invasão napoleónica levou-o a emigrar a Menorca, onde foi acolhido pelos frades franciscanos, em cujo convento realizou vários recitais de órgão para angariar donativos ao cenóbio mahonés, de onde provêm as Sis sonates per orgue o fortepiano, pura música operática transposta ao órgão. Estabelecido em Madrid a partir de 1827, Carnicer seria o máximo responsável, junto a Saverio Mercadante pela direção da companhia de ópera italiana que atuava nos coliseos del Principe e de Santa Cruz, tendo dirigido a estreia mundial do Stabat Mater de Rossini.

 

Marco Aurélio Brescia

  Participantes  

Domingo, 19 de Outubro, 18h00
Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe (Porto da Cruz)
Segunda-feira, 20 de Outubro, 21h30
Igreja de São Pedro

Marco Brescia: órgão
Rosana Orsini: soprano


 

 


Marco Brescia

 

Organista italiano/brasileiro, Marco Brescia desenvolve uma intensa atividade artística, havendo atuado em Itália, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Irlanda do Norte, Hungria, Eslováquia, Peru e Brasil, no enquadramento de importantes festivais e séries de concerto. Brescia é organista titular do órgão histórico Almeida e Silva/Lobo de Mesquita (1787) de Diamantina (Brasil) e desde o ano 2001 cumpre funções de organista na Basílica Pontifícia de San Miguel - Nunciatura Apostólica, Madrid (órgão Gerhard Grenzing), sendo igualmente organista/continuísta co-fundador do Ensemble Favola d’Argo. Os seus interesses centram-se fundamentalmente na interpretação histórica do repertório de tecla ibérica e italiana, na qual se especializou junto a Javier Artigas (órgão), Sergi Casademunt e Emilio Moreno (música de câmara) num Mestrado em interpretação da Música Antiga - especialidade de órgão histórico (Escuela Superior de Música de Cataluña/Universidad Autónoma de Barcelona). Investigador integrado do CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova de Lisboa, Brescia é Doutor em Musicologia Histórica pelas Universidades Paris IV - Sorbonne e Nova de Lisboa. É diretor artístico do Festival Internacional IN SPIRITUM - Música e Contemplação na cidade do Porto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rosana Orsini
Co-fundadora do Ensemble Favola d'Argo, Rosana Orsini atuou junto de importantes formações musicais como o Central City Chorus and Orchestra (Nova York), Esprit Ensemble (Londres), Alemmares Ensemble (Lisboa), Orquestra Ouro Preto (Brasil), Americantiga Coro e Orquestra (Lisboa), National Gallery of Art Chamber Players (Washington D.C.), em prestigiantes cenários e festivais internacionais. Rosana Orsini é Mestre em Canto Lírico pela Manhattan School of Music de Nova York, tendo-se igualmente especializado em interpretação mozartiana no Mozarteum Institut de Salzburg (Áustria). É Pós-graduada em Canto pela Royal Academy of Music de Londres, onde estudou sob a direcção de Diane Forlano. Aperfeiçoou os seus estudos com Anna Moffo, Fedora Barbieri, Licia Albanese, Philip Langridge, Paul Esswood, Edda Moser, Ian Partridge, Dominic Wheeler, Geoffrey Baker e Dona Vaughn. Atualmente, frequenta um Mestrado de interpretação da Música Barroca no Conservatorio di San Pietro a Majella de Nápoles (Itália), sob a orientação de Antonio Florio. É Doutora em História e Ciências Musicais pelas universidades Sorbonne - Paris IV e Nova de Lisboa e é autora do livro É lá que se representa a comédia: a Casa da Ópera de Vila Rica (1770-1822), publicado em 2012 pela Paco Editorial (Brasil).

 

   Notas ao Orgão   

Domingo, 19 de Outubro, 18h00
Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe (Porto da Cruz)
Segunda-feira, 20 de Outubro, 21h30
Igreja de São Pedro

Marco Brescia: órgão
Rosana Orsini: soprano


 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, Porto da Cruz

 

Este instrumento foi construído pela firma inglesa Flight & Robson de Londres (op. 101), no século XIX. Trata-se de um órgão tecnicamente idêntico ao da Igreja matriz de São Vicente e encontra-se instalado no coro alto. Não nos foi dada a possibilidade de consultar documentação sobre este instrumento, desconhecendo-se por isso as circunstâncias e o ano da sua aquisição. Em 2004-2005, o órgão foi restaurado por Dinarte Machado.

 

Manual (G, AA, C, D-f’’’)
Open Diapason 8’
Stop Diapason 8’
Principal 4’
Fifteenth
Sesquialtra & Cornet

 

 

Igreja de São Pedro, Funchal

 

O órgão da Igreja de São Pedro foi adquirido em Inglaterra à firma Flight & Robson, no século XIX. Não possuímos documentação relativa ao ano da sua construção mas podemos situá-la antes de 1878, altura em que a mencionada firma foi comprada por Gray & Davison. Tão-pouco sabemos a data exacta da instalação do instrumento na Igreja de São Pedro, mas em dois inventários (1838 e 1841) menciona-se um órgão “em muito bom uso” colocado no coro, facto que permite apontar para o actual instrumento (AHDF Inventário: 3). No decorrer do século XX, o órgão sofreu várias intervenções das quais resultaram, entre outros, a modificação do diapasão e da afinação, sem que tivessem acarretado, no entanto, danos significativos na originalidade do instrumento.

 

Em Agosto de 1904, no decurso de uma campanha de beneficiação do coro alto da igreja, a Fábrica aproveitou também a ocasião para mandar reparar o órgão, tendo sido responsável pelo restauro Alfredo Saturnino Lino. Sabe-se que o conserto do órgão, como do restante conjunto, foi breve, pois em ofício assinado a 6 de Agosto de 1904, o mestre declara que os trabalhos “deveriam ficar promptos até meados do corrente mez” (AHDF Documentos).  As obras terminaram de facto a 25 de Agosto; os trabalhos do coro e do órgão custaram 150.000 réis, tendo a Junta Geral do Distrito comparticipado com a importância de 50.000 réis, montante que se destinava exclusivamente ao conserto do órgão. Pelos vistos, esta intervenção deve ter sido pontual, pois passados dois anos, o periódico Heraldo da Madeira noticiava, no dia 15 de Novembro de 1906, que o órgão da Igreja de São Pedro estava a ser sujeito a uma nova reparação.
Em 2006, este instrumento foi restaurado por Dinarte Machado.

 

Manual (GG, AA, C, D-f’’’)
Diapason 8’
Principal 8’ (c-f’’’)
Principal 4’
Flauta 4’
Piphar 2’
Cornet