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   Programa   

Quinta-feira, 23 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Joris Verdin: órgão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Josse Boutmy (1697-1779)
Première suite                                                                         
                  Ouverture - Vivace
                  Andante
                  La Coureuse
                  Sarabande
                  1er Menuet – 2e Menuet
                  Le Basque: Première Partie - Seconde Partie  

 

Christian Heinrich Rinck (1770-1846)
Seis variações para órgão com pedaleira sobre "Ik zag Caecilia kommen"   
                       
Georges Bizet (1838-1875)
Méditation religieuse   
           
Jacques Nicolas Lemmens (1823-1881)
Marche triomphale     
                                               
Charles Tournemire (1870-1939)
Caprice (Suite Evocatrice, 1938)   
           
Jehan Alain (1911-1939)
Transcrição de peças para alaúde de François Campion (1685/86-1748)
                  Prélude
                  Allemande
                  Courante
                  Sonatine
                  Rondeau                  

 

Joris Verdin (1952)
Fantasía de quinto tono (Nuovi Fiori Musicali, 2006)

 

 

Na literatura acerca da música para órgão, a segunda metade do século XVII é geralmente descrita em termos de decadência. A “Escola Flamenga” estava gradualmente a desaparecer após o desaparecimento de Abraham Ven den Kerckhoven. Um paralelo é frequentemente feito com países vizinhos, com a decadência do órgão francês e o declínio da “tradição Bach” em Alemanha. No século XVIII, a construção de órgãos floresceu na Bélgica, embora a abundância de instrumentos extremamente valiosos de um lado e a raridade de música editada para órgão no outro seja um paradoxo na história da música belga para órgão. Mas hoje em dia, músicos e musicólogos concordam que a distinção entre cravo, órgão e piano é um conceito “moderno”, e que nessa época deveríamos falar de “música para tecla”. A melhora prova é o facto de obras como as de Boutmy soarem especialmente bem no órgão, e provavelmente melhor ainda no cravo.

 

Rinck representa a influência alemã na música belga para órgão dos primórdios do século XIX. Após a Revolução Belga e a independência em 1830, o diretor do Conservatório de Bruxelas, François-Joseph Fétis, “importou” músicos alemães e construtores de órgão alemães, e obteve financiamento governamental para estudos em Alemanha. Isto explica a ligação com Christian Heinrich Rinck (1770-1846), que foi consultado acerca de novos órgãos construídos em Bruxelas e Antuérpia. O tema flamengo Ik zag Caecilia kommen é uma melodia encontrada por toda a Europa e famoso sobretudo através do Moldau de Smetana. Lemmens foi envolvido na estratégia de Fétis, mas a sua Marche tam mais a ver com o estilo francês do que o estilo tradicional contrapontístico tão promovido por Fétis.

 

Georges Bizet publicou, infelizmente, apenas uma obra para órgão. O título refere-se ao carácter, completamente diferente das suas outras obras. É uma verdadeira meditação em termos do início do século XIX, embora ainda muito galante. O programa salta uma grande parte do século XIX, pois a música para órgão dessa época é muito ligada a uma especificação particular de instrumento que difere em muitos aspectos do instrumento que ouvirão hoje.

 

No século XX, os músicos redescobriram a música do passado, e organistas em particular tentaram encontrar inspiração em órgãos construídos antes da Revolução Francesa. Duas maneiras de lidar com isto são representadas por Tournemire e Alain. O primeiro era improvisador, encontrando inspiração numa certa imagem do passado; o segundo “simplesmente” arranjou obras dos velhos mestres para o órgão moderno.
A Fantasia de quinto tono foi inspirada no órgão histórico de 1753 de Gaspar de la Redonda em Torre de Juan Abad, Castela-La Mancha, onde Joris Verdin é o organista honorário desde 2003. Uma batalha e não... A obra começa como qualquer outra batalha, mas continua de uma maneira um pouco diferente. O som do pós-modernismo ganha gradualmente, na medida em que o número de vozes aumenta. Não exclui uns reflexos íntimos no meio da história clássica de sons chocantes, como a meditação nostálgica no meio, ou o som de pássaros inocentes perto do fim. As técnicas de tocar são clássicas, incluindo estilos além do espanhol. A canção folclórica ainda desconhecida proveniente de países nortenhos apela à misericórdia e à paz, e sobrevive sozinha no fim.

 

Joris Verdin

  Participantes  

Quinta-feira, 23 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Joris Verdin: órgão



Joris Verdin

 

Joris Verdin ao mesmo tempo organista e musicólogo. Esta combinação é a razão da sua preferência por fazer reviver música esquecida, ao mesmo tempo que cria música nova. Gravou mais de quarenta CD´s como solista abrangendo muitos estilos e períodos musicais. Após diversas atividades como acompanhador, arranjador e produtor, concentra-se atualmente no órgão e no harmónio, sendo reconhecido internacionalmente como um especialista. Ensina órgão no Conservatório Real de Antuérpia e é professor de Organologia na Universidade de Leuven (Bélgica). Masterclasses, edições musicais e artigos são uma parte importante das suas atividades. Entre elas, a primeira edição completa das obras de César Franck para harmónio e o primeiro manual de técnica para harmónio. Os seus artigos foram publicados em revistas como Het Orgel (Holanda), The Diapason (USA), La Tribune de l’Orgue (Suíça), ROC Bulletin (Japão), L’Orgue (França) Orgelkunst (Bélgica), Ars Organi (Alemanha). A cidade espanhola de Torre de Juan Abad (Ciudad Real) nomeou Joris Verdin organista honorário do órgão histórico construído por Gaspar de la Redonda in 1763.

 

   Notas ao Orgão   

Quinta-feira, 23 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Joris Verdin: órgão


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

Igreja de São João Evangelista (Colégio), Funchal

 

Este instrumento, com os seus 1586 tubos sonoros, integra-se num espaço sagrado de características bem particulares. Tratando-se de uma igreja de arquitectura típica dos colégios jesuítas, com uma nave de admirável amplitude e com acústica bastante amena, o órgão tinha de ser concebido, especialmente no que diz respeito às medidas dos tubos, com cuidado muito especial e singular. Assim, toda a tubaria deste instrumento, talhada em medidas largas, ecoa com intensa profundidade, e cada registo emite uma sonoridade com personalidade própria, fazendo parte de um conjunto harmónico mais baseado em sons fundamentais e menos em timbres resultantes dos harmónicos. Entendeu-se que seria indispensável doar este instrumento de uma certa “latinidade” sonora capaz de favorecer a execução de música antiga das escolas italiana, espanhola e portuguesa dos séculos XVII e XVIII.  

 

Outro aspecto tomado em conta foi a necessidade de complementar o panorama organístico actual e local: o novo grande órgão presta-se, de uma forma ideal, para a realização de obras de épocas e de exigências técnico-artísticas para as quais nenhum dos 24 instrumentos históricos da Madeira oferece as condições adequadas, valorizando, para além disso, o conjunto do património organístico da Ilha da Madeira através da sua própria existência neste particular espaço sagrado, bem como por meio da sua convivência com os espécimes históricos. Na própria decisão de o colocar na Igreja do Colégio foram tomados em conta  não apenas o espaço acústico, estético e litúrgico, mas também o facto de nele existir um importante órgão histórico que faz parte do rol dos instrumentos actualmente em via de serem restaurados.

 

 

I Manual - Órgão Principal (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Flautado tapado de 12 palmos (8’)
Oitava real (4’)                   
Tapado de 6 palmos (4’)                 
Quinzena (2’)
Dezanovena e 22ª                              
Mistura III                                                
Corneta IV                                               
Trompa de batalha* (mão esquerda)          
Clarim* (mão direita)
Fagote* (mão esquerda)
Clarineta* (mão direita)

 

II Manual - Órgão Positivo (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Tapado de 12 palmos (8’)
Flautado aberto de 6 palmos (4’)
Dozena (2 2/3’)
Quinzena (2’)
Dezassetena (1 3/5’)
Dezanovena (1 1/3)
Címbala III
Trompa real (8’)

 

Pedal (C-f’)                                                                                
Tapado de 24 palmos (16’)           
Bordão de 12 palmos (8’)                                 
Flautado de 6 palmos (4’)                                
Contrafagote de 24 palmos (16’)
Trompa de 12 palmos (8’)

 

Acoplamento
II/I
I/Pedal
II/Pedal

 

* palhetas horizontais