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   Programa   

Sábado, 25 de Outubro, 21h30
Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Machico)

Daniela Moreira: órgão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Tomás de Santa Maria (? - 1570)
Fantasía

 

Antonio de Cabezón (1510-1566)
Diferencias sobre el "Canto del Cavallero"

 

Antonio Valente (1520-1581?)
Lo Ballo dell' Intorcia

 

Antonio Carreira (1520/30?-1587/97?)
Quartus tonus, fantasia a quatro

 

Pedro de Araújo (1610?-1684?)
Consonâncias de 1º tom

 

Pablo Bruna (1611-1679)
Tiento de 2º tono por Ge sol re ut sobre la litanía de la Vírgen

 

Andrés de Sola (1634-1696)
Tiento de medio registro de mano derecha de 1º Tono

 

Bernardo Pasquini (1637-1710)
Partite sopra la aria della Folia da Spagna

 

Juan Cabanilles (1644-1712)
Corrente italiana

 

Carlos Seixas (1704-1742)
Sonata em Fá maior

 

Baldassare Galuppi (1706-1785)
Allegro

 

Nicola Zingarelli (1752-1837)
Pastorale

 

Anselmo Viola (1738-1798)
Sonata

 

 

A Fantasía que abre o programa é a primeira das fantasias incluídas no tratado Arte de Tañer Fantasía de Tomás de Santa Maria. Trata-se de uma peça polifónica, e politemática, escrita, maioritariamente, em notas longas, o que permite grande flexibilidade para improvisação. Diferencias sobre el Canto del Cavallero é uma das mais célebres composições de Antonio de Cabezón, apresentando um tema, provavelmente castelhano, que vai aparecendo nas várias vozes, ao longo das variações. Antonio Valente, compositor napolitano cuja escrita apresenta claras influências por parte da escola espanhola contemporânea, apresenta na peça Lo Ballo dell' Intorcia, o tema da Danza de las Hachas, então muito conhecida em Espanha.

 

De Antonio Carreira, a mais importante figura da música de órgão portuguesa do século XVI, é apresentada uma peça de grande concentração temática e uma harmonia complexa, Quartus Tonus, Fantasia a Quatro. Escrita pelo excepcional compositor português Pedro de Araújo, a obra Consonâncias de 1º tom, inserida no manuscrito 964 da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga, tem um estilo de escrita influenciado pela música de tecla italiana. Tiento de 2º tono por Ge sol re ut sobre la litanía de la Vírgen, de Pablo Bruna, é uma peça escrita para teclado partido, característica comum dos órgãos da época, que divide, timbricamente, o teclado em dois. Representante do desenvolvimento da música espanhola para órgão, está inserida no manuscrito 729 da Biblioteca de Catalunya em Barcelona. Do compositor espanhol Andrés de Sola é apresentado o Tiento de medio registro de mano derecha de 1er tono, dividida, claramente, em duas partes distintas. As Partite sopra la aria della folia da Spagna, de Bernardo Pasquini, estão também conservadas no Manuscrito 964 da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga. A peça apresenta como tema uma melodia luso-espanhola, desenvolvida ao longo da peça sob a forma de variações. Juan Cabanilles (1644-1712), compositor espanhol, representa o ponto culminante da evolução do órgão espanhol. Na Corrente italiana, o compositor explora, principalmente, os efeitos rítmicos.

 

Carlos Seixas é um dos maiores vultos do período barroco português e um dos mais notáveis em toda a história da música em Portugal. A Sonata apresentada neste programa está dividida em três andamentos, Allegro, Adagio e Minuet, e é mais um exemplo das influências italianas na música portuguesa da época. Baldassare Galuppi, compositor italiano bastante conhecido na sua época, especialmente pelas suas óperas, caiu no esquecimento após a sua morte, e só no final do século XX, as suas obras voltaram a ser apresentadas em público. Allegro, dividida em duas secções, apresenta uma escrita clara, maioritariamente a duas vozes. A Pastorale, peça leve e de cariz dançante, foi escrita por Nicola Zingarelli, compositor italiano bastante conhecido na sua época, especialmente pelas suas óperas. Anselmo Viola, compositor catalão, terá sido mestre de capela do convento de Montserrat. A Sonata apresentada neste programa intercala secções polifónicas com secções de estilo recitativo.

 

Daniela Moreira

  Participantes  

Sábado, 25 de Outubro, 21h30
Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Machico)

Daniela Moreira: órgão



Daniela Moreira

 

Nasceu em 1986, no Barreiro. Iniciou os seus estudos musicais no ano 2000, no Conservatório Regional de Música de Tomar, ingressando, em 2004, no Conservatório de Música de Ourém, onde completou o 8º Grau de Órgão, com Margarida Oliveira. Em 2006 ingressou na Escola Superior de Música de Lisboa, terminando, em 2010, a Licenciatura em Música, enquanto aluna da classe de Órgão do professor João Vaz. Em 2014, conclui o Mestrado, com o tema “A Função Didática para Órgão do Século XVI à Atualidade”, sob orientação do mesmo professor. Tem frequentado várias masterclasses com diversos professores não só de Órgão como também de música para crianças, e cursos de aperfeiçoamento, como “V Jornadas de Órgão”, em Santiago de Compostela, “Música e Dança na Educação”, em Madrid, “Curso Internacional de Música Antigua de Daroca”, Academia de Órgão em Alkmaar, Holanda, e os "ECHO Days", em Bruxelas. Entre outros, participa, desde 2011, no Ciclo de Concertos a Seis Órgãos, em Mafra. É, desde 2008, professora da classe de Órgão do Conservatório de Música de Ourém e Fátima.

 

   Notas ao Orgão   

Sábado, 25 de Outubro, 21h30
Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Machico)

Daniela Moreira: órgão


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Machico

 

Na documentação histórica anterior ao século XX constam observações que se referem a dois instrumentos: um foi oferecido, segundo a tradição historiográfica, em 1499, à Igreja de Nossa Senhora da Conceição pelo rei D. Manuel, e um outro adquirido em 1746. No que diz respeito ao órgão manuelino podemos deduzir que ele foi colocado no arco que se abre sobre o cadeiral do lado do Evangelho da capela-mor. No século XVIII, o estado de conservação deste órgão terá deixado muito a desejar, verificando-se a aquisição do segundo instrumento em 1746. O órgão chegou à Madeira em 1752, tendo o Conselho da Fazenda contribuído, inicialmente, nas despesas da sua compra e, posteriormente, nos custos da sua instalação.

 

O recente restauro, da responsabilidade de Dinarte Machado, teve como objectivo principal restituir, na medida do possível, a sua constituição original, seguindo as indicações dadas pelas próprias peças durante a desmontagem. Assim, no decorrer do restauro optou-se por uma filosofia de intervenção que tivesse sempre em conta as particularidades das peças originais, desde à configuração da caixa e policromia, à reposição da registação, tubaria, folaria, e até à colocação do instrumento no seu local original - a capela-mor. Ainda em relação à composição do instrumento, reintroduziu-se o meio-registo da mão direita, de palheta, que o órgão indicava possuir originalmente e que, de certa forma, o caracteriza. O teclado original, encontrado a monte e que se conseguiu recuperar, mantém a extensão da época com Oitava curta. Ficou completada, com grande rigor, a nova tubaria de acordo com as características que os poucos tubos originais conservados evidenciavam, comparada com as próprias indicações e dimensões do someiro, que também foi minuciosamente estudado e documentado.

 

Não há dúvidas que se trata de um dos mais belos órgãos da Ilha da Madeira, sendo um dos instrumentos que conserva algumas das mais relevantes características da organaria do século XVII em Portugal. É de salientar ainda que o trabalho de restauro desencadeado nesta peça exigiu o estudo de muita documentação, assim como comparações com outros órgãos da época. Uma vez que tais instrumentos não existem em Portugal, teve de se recorrer a dados em outros países. 

 

Manual (C, D, E, F, G, A-c’’’)
Flautado de 12 palmos (8’)
Flautado de 6 palmos (4’)
Flauta doce
Dozena (2 2/3’)
Voz humana (c#’-c’’’)
Quinzena (2’)
Composta de 19ª e 22ª
Sesquialtera II (c#’-c’’’)
Clarim* (c#’-c’’’)

 

* palhetas horizontais