Festivais Culturais da Madeira
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Música e património

 

O património organístico da Madeira foi, nos últimos anos, alvo de uma especial atenção, no  sentido em que foi possível dar um forte impulso ao processo da recuperação e restauro de vários desses instrumentos históricos, tornando-os  aptos a serem tocados nas respetivas igrejas. O mestre organeiro Dinarte Machado foi o responsável por esse longo trabalho de conservação dessa memória patrimonial, tendo sido igualmente o construtor de um órgão novo para a Igreja do Colégio, processo que se desenvolveu em articulada cooperação com a Diocese do Funchal, numa estratégia de política cultural que desde sempre procurou criar condições não só de visibilidade acrescida para uma área singular do nosso património, mas também enriquecer a oferta cultural disponível nesta Região Autónoma.

 

Assim, a junção dos órgãos históricos, com a especificidade do seu perfil musicológico, ao grande órgão da igreja do Colégio, com a amplitude das suas possibilidades de repertório, criaram a base técnica adequada para a programação de um Festival que, de forma inédita na Região, desse a ouvir o melhor da música antiga e moderna no contexto específico deste património (móvel e imóvel), onde se tornava mais verdadeira e coerente a fruição desses bens da nossa herança cultural. Esta estratégia de visibilidade e divulgação insere-se muito naturalmente, na continuidade de uma série de ações já realizadas a partir da recuperação dos órgãos históricos, como sejam a gravação e edição de CD’s, com repertórios próprios de cada um dos instrumentos, mais a recente edição do inventário dos órgãos históricos da Madeira.

 

A realização, de 19 a 29 de Outubro, do III Festival de Órgão da Madeira permite, por conseguinte, alcançar o patamar mais elevado do objetivo que estava implícito nesta estratégia de recuperação e de divulgação: integrar os órgãos históricos, e mais ainda, o novo órgão da igreja do Colégio, num projeto que, valorizando a sua importância singular ao nível da música, viesse trazer um enriquecimento significativo da nossa programação regular, em termos de oferta, de atração e de consolidação de públicos culturais. Sob a direção artística de João Vaz, que elaborou um programa diversificado e de qualidade, segundo o perfil e potencialidades dos diferentes instrumentos, este Festival tornará possível ouvir, em diferentes igrejas da Madeira, obras dos mais reputados compositores das áreas da música antiga e da música sacra, em registos interpretativos diferenciados, em que o “rei dos instrumentos" é acompanhado por canto, coro e cordas, proporcionando ao público momentos que serão certamente da maior elevação musical e artística.

 

O Festival de Órgão está integrado no projeto "Festivais Culturais da Madeira", comparticipado por fundos comunitários, sendo uma marca promovida pela Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes, através da Direção Regional dos Assuntos Culturais, a qual, procura ampliar e qualificar a oferta cultural na Região Autónoma da Madeira, proporcionando aos residentes, mas também promovendo no mercado mais vasto do turismo cultural, aquilo que é o melhor da nossa identidade, em termos de património, arte e cultura.

 

João Henrique Silva
(Diretor Regional dos Assuntos Culturais)

 

 

 

 

 

O Festival de Órgão da Madeira assumiu-se, desde a sua primeira edição em 2010, como um evento organístico ímpar no panorama português.

 

Em primeiro lugar, porque constitui o resultado natural de um esforço consequente de recuperação e valorização do património organístico. Este esforço, desenvolvido pela Região Autónoma da Madeira ao longo de mais de uma década, é testemunhado não só pelos diversos instrumentos restaurados e pela construção do novo órgão da Igreja do Colégio, como pelas acções de divulgação promovidas ao longo do tempo: quatro edições discográficas, dezenas de concertos e o recente lançamento do inventário Órgãos das Igrejas da Madeira, a primeira obra do género publicada em Portugal.

 

Em segundo lugar pela variedade da programação, que resulta em grande parte das características dos próprios instrumentos. A Madeira apresenta uma notável diversidade no seu património organístico, o qual inclui, para além de um instrumento novo vocacionado para a execução do repertório clássico, órgãos históricos dos séculos XVIII e XIX das escolas portuguesa, italiana e inglesa. Esta diversidade – que se manifesta também ao nível da dimensão dos instrumentos – constitui um desafio para uma programação que pretende abranger, na medida do possível, todos os órgãos da Região.

 

Nesta terceira edição do Festival de Órgão da Madeira, três recitais no órgão da Igreja do Colégio oferecem uma panorâmica do repertório organístico europeu dos séculos XVII, XVIII e XIX, enquanto que os instrumentos históricos da Igreja Matriz de Machico e do Convento de Santa Clara terão ocasião de brilhar com programas de música antiga hispânica e italiana. A restante programação inclui concertos onde o órgão surge ao lado de diversos solistas ou formações (voz solista, violino, coro infantil ou instrumentos de sopro renascentistas), para além de um recital de órgão a quatro mãos.

 

Cremos que, ao longo destas onze manifestações e pela mão de oito organistas portugueses e estrangeiros, o público do Festival de Órgão da Madeira poderá, mais uma vez, desfrutar da riqueza e diversidade do repertório organístico, apreciando simultaneamente a versatilidade dos órgãos da Região.

 

João Vaz