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Festival de Órgão na oferta cultural

 

A quinta edição do Festival de Órgão da Madeira realiza-se de 17 a 26 de Outubro. Sendo este um festival de créditos assegurados quanto à qualidade da sua programação, é mais um evento do calendário anual que vem enriquecer a oferta cultural de outono dirigida aos madeirenses e, muito especialmente, ao sector do turismo cultural e a todos os visitantes que, nesta data, afluem à Madeira.

 

O Festival de Órgão nasceu há cinco anos no âmbito do projeto “Festivais Culturais da Madeira”, sendo de algum modo a finalização de um longo processo de recuperação do património organístico desta Região Autónoma, um precioso legado histórico de mais de vinte instrumentos oriundos das escolas de organaria ibérica, italiana e inglesa, de que subsistem ainda relevantes testemunhos nas igrejas da Madeira. Ao longo dos anos, e depois do trabalho de inventariação e descrição organológica, procedeu-se metodicamente ao restauro de vários desses instrumentos, com a consequente gravação e edição de CD’s com repertórios diferenciados e ajustados a cada um dos órgãos, segundo uma estratégia que visava o conhecimento e divulgação desses instrumentos. Este objetivo de salvaguarda patrimonial viria a conquistar acrescida visibilidade com a edição do livro Órgãos das Igrejas da Madeira. Finalmente, ligando os dois pontos extremos de um processo integrado que vai do levantamento e inventariação ao conhecimento e fruição deste singular património, temos a criação e realização de um grande Festival de Órgão, onde se procura dar a ver em harmonia as várias faces da Beleza, historicamente plasmadas na arte do espaço (a arquitetura) e na arte do tempo (a música), aqui de novo religadas na fruição estética que só a cultura pode proporcionar.

 

Em todo este percurso de quase duas décadas, que vai da reabilitação dos instrumentos antigos à construção do grande órgão criado de raiz para a igreja do Colégio e consequente criação do Festival, merece especial referência o trabalho do mestre organeiro Dinarte Machado no restauro, e o contributo do organista João Vaz na direção artística do festival, ambos com profundo conhecimento da diversidade e riqueza do nosso património organístico e que desde sempre acompanharam, com grande entusiasmo e sensibilidade profissional, todo o processo que nos permite apresentar hoje um Festival de Órgão já na sua quinta edição, com repertórios que nos darão a ouvir o melhor dos grandes mestres da música europeia.

 

Qualificar e diversificar a oferta cultural de qualidade é o grande objetivo do projeto “Festivais Culturais da Madeira”, desenvolvido pela Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes, e nesse desiderato o Festival de Órgão ocupa um papel de relevo, pela atratividade e intercâmbios que suscita e pelo público que já conquistou, promovendo o melhor da nossa identidade patrimonial e artística no mercado mais vasto do turismo cultural.

 

João Henrique Silva
Diretor Regional dos Assuntos Culturais

 

 

 

V Festival de Órgão da Madeira

 

O Festival de Órgão da Madeira regressa mais uma vez às igrejas da Região. Coroando uma intensa e consequente atividade de restauro, divulgação e valorização do património organístico madeirense, levada a cabo ao longo de mais de uma década pelo Governo Regional da Madeira, este festival já se afirmou como uma das mais significativas manifestações do género.

 

Têm sido um dos objectivos do FOM, desde a sua primeira edição, apresentar programas que permitam explorar as múltiplas potencialidades dos instrumentos madeirenses. Os órgãos setecentistas de origem portuguesa, os órgãos importados de Inglaterra no século XIX e o recente órgão da Igreja do Colégio têm, ao longo dos últimos quatro anos, sido veículos de expressão de variados repertórios, pelas mãos de muitos organistas nacionais e estrangeiros.

 

Nesta edição, a Igreja do Colégio é palco de dois recitais a solo por Pieter van Dijk e Joris Verdin, dedicados respectivamente a Johann Sebastian Bach e à música franco-belga, sendo o repertório ibérico e ialiano dos séculos XVI a XVIII apresentado na Igreja de Machico pela jovem organista Daniela Moreira. O duo formado pela soprano Rosana Orsini e pelo organista Marco Aurélio Brescia explora a fusão entre o órgão e o canto nas Igrejas de São Pedro (Funchal) e de Nossa Senhora de Guadalupe (Porto da Cruz), com um repertório peninsular tardo-setecentista, enquanto o órgão da Igreja de São Martinho, tocado por João Santos, soa ao lado da Orquestra Clássica da Madeira dirigida por Norberto Gomes. A combinação inédita do órgão e da recitação literária marca o programa proposto por João Paulo Janeiro e Paula Erra na Igreja do Convento do Bom Jesus. O V Festival de Órgão da Madeira conclui-se com outra novidade: a presença do harmónio. Extremamente popular ao longo da segunda metade de oitocentos, este instrumento caiu em total desuso ao longo do século XX e só foi reabilitado muito recentemente. Joris Verdin é um dos especialistas do harmónio a nível mundial e traz-nos um programa a solo e com canto (com a participação de Maria Ferreira) que revelará as potencialidades daquele instrumento hoje tão desconhecido.

 

Paralelamente a estas manifestações, uma conferência de Rui Vieira Nery e uma visita a dois dos mais significativos órgãos do Funchal proporcionarão uma perspectiva diferente da música para órgão e do património organístico da Região Autónoma da Madeira.

 

João Vaz
Diretor Artístico